Essa semana foi bastante agitada no Centro de Triagem de Animais Silvestres do IBAMA GO. Entraram aproximadamente 60 animais silvestres, entre eles 3 filhotes de onça parda, que se tornaram a atração para todos os funcionários. Desde que chegaram estão recebendo tratamento “VIP” , principalmente da funcionária Laura Widerhecker, que as vezes ganha até alguns puxões de orelha , por mimar demais as bichinhas.
Essas onças chegaram após serem resgatadas pelo Corpo de Bombeiros, próximo de uma estrada estadual goiana, no município de Anicuns. Um policial ambiental os avisou da presença das onças no local após uma paradinha pra “tirar água do joelho”. Como os animais estavam em uma área de plantio de cana, acreditaram que a mãe poderia ter sido queimada.
Posteriormente descobrimos que na verdade um funcionário da usina de açúcar havia tirado os animais do local onde estavam e os levado até onde foram encontrados pelo corpo de bombeiros. Provavelmente a mãe-onça estava procurado os filhotes e foi um erro grave tê-los tirado do local onde estavam (principalmente na primeira vez). Dois dia depois, na última quita-feira (16 de julho), recebemos a notícia que havia uma onça parda há dois quilômetros de onde as oncinhas foram encontradas. Fomos até o local, fizemos que elas urinassem nelas mesmas, para aumentar o “bafo de onça” no ar, as deixamos com fome para “assoviarem” e sozinhas por aproximadamente 6 horas, mas a mãe, infelizmente, não apareceu (se é que era ela).
Na sexta-feira tentamos novamente, e dessa vez levamos um carneiro como isca, para atrair a “bichona”. Novamente deixamos os filhotes com fome, e, com protestos da Laura, permitimos que eles passassem a noite no local. As 7 horas da manhã retiramos os filhotes de volta pra Goiânia, sem que a mãe aparecesse. Por fim avaliamos que deixá-las com fome mais uma vez, no frio, poderia baixar sua imunidade, e decidimos não arriscar mais devolvê-las pra mamãe.
Então, como eles tem que se alimentar 5 vezes por dia, e apesar de ter uma onça em casa (acho que ela não vai gostar dessa parte), levei mais três pra passar o fim-de-semana. Aqui, treinamos um pouco como tratar de um filhotinho. Fizemos mamadeira, acordamos cedo, e como toda mamãe onça, “lambemos” suas partes genitais para fazerem “pipi” e “popô” (na verdade passamos um lenço de papel úmido nas “xaninhas”). Agora já estou pronto pra ter filhote com a dona Onça!!!!!!!!!!!!!!!!
As bichinhas agora serão mantidas no CETAS até o dia em que encontremos algum criadouro conservacionista ou mantenedor de fauna para cuidar dos filhotinhos para o resto de suas vidas. Infelizmente, é quase impossível reintegrá-las a natureza, entre outros motivos, por se tratarem de predadores de topo e elas influenciariam muito a comunidade estabelecida no local onde forem soltas. Além disso, elas só poderiam ser soltas após ficarem adultas, e estariam acostumadas a adquirir alimentação com os seres humanos, o que poderia causar problemas nas propriedades da área. Desta forma, alguém se habilita?
